Prefeito de Rio Branco oficializou intenção nesta segunda-feira (19), citou possíveis adversários e afirmou que decisão final ocorrerá até o início de abril.
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), anunciou nesta segunda-feira (19) sua pré-candidatura ao governo do Acre nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante um encontro com a imprensa no auditório da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agrícola do Acre (Acisa), em Rio Branco.
Bocalom ocupa atualmente o segundo mandato como prefeito de Rio Branco após ter sido reeleito no primeiro turno com 54,82% dos votos em 2024. Ele é filiado ao Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, e tem trajetória pública alinhada ao campo conservador e de direita.
Ao oficializar a pré-candidatura, Bocalom afirmou que, a partir de agora, coloca oficialmente seu nome à disposição da sociedade acreana e que a definição sobre a consolidação da candidatura deve ocorrer até o início de abril. Segundo ele, mesmo antes do anúncio público, seu nome já figuraria entre os mais competitivos na disputa.
“É que a partir de hoje nós estaremos colocando o nosso nome à disposição da sociedade acreana para definir até lá pelo mês de abril, início de abril, como vai ficar isso, o nosso nome estará colocado. Não tenho dúvida nenhuma que hoje o nosso nome já é o segundo colocado, sem nunca ter falado que era pré-candidato, agora a gente coloca. Eu tenho certeza que vai dar uma mexida boa nesse tabuleiro”, disse.
A decisão ocorre em meio a dinâmicas complexas no PL. A liderança do senador Márcio Bittar no estado demonstrou resistência à candidatura de Bocalom, com aliados defendendo foco na própria reeleição ao Senado e apoio à vice-governadora Mailza Assis (Progressistas) para o governo.
Há também rumores de que a direção nacional da legenda poderia vetar a candidatura por estratégia partidária, hipótese que Bocalom negou, afirmando que sua trajetória política é “vitoriosa” e que “não se fecha a porta de uma candidatura vitoriosa”.
Em seu discurso, o prefeito também comentou o cenário político estadual e citou possíveis adversários, reconhecendo a legitimidade das demais pré-candidaturas já colocadas.
“Não é porque já temos três outros nomes aí que não podemos lançar o nosso. Eu entendo, porque também tenho o sonho de ser governador. Então está lá o Alan Rick, que, desde que ganhou para o Senado, colocou o nome dele. Tem todo direito, qual o problema? Segundo, tem a Mailza, que colocou o nome dela também há um ano, talvez um ano e pouco atrás, é a nossa vice-governadora. Tem todo direito a vice-governadora. O PT está meio cambaleando, mas o doutor Thor acha que deve ir, e acho que vai. É todo direito. Se tiver mais alguém que tem intenção, que coloque o nome. Sabe o que é? É o povo”, afirmou.
Durante o evento, Bocalom destacou o que considera ser o principal ativo político de sua gestão, o volume de obras realizadas em Rio Branco. De acordo com o prefeito, o trabalho desenvolvido à frente da capital credencia seu nome para disputar o Palácio Rio Branco. “É muito trabalho. Eu acho que Rio Branco nunca viu tantas obras da prefeitura como tem”, pontuou.
O anúncio contou com a presença do vice-prefeito Alysson Bestene, que deverá assumir o comando da Prefeitura de Rio Branco caso Bocalom se afaste do cargo. Também participaram apoiadores e empresários, entre eles o pecuarista Jorge Moura, o proprietário da Ipê Empreendimentos, Ricardo Leite, e o CEO do grupo Araújo, Aldenor Araújo, que integraram o dispositivo oficial.
Ao final do pronunciamento, Bocalom reforçou que a pré-candidatura será construída ao longo dos próximos meses e condicionou a continuidade do projeto ao desempenho do seu nome no cenário eleitoral.
“Então, eu acho que nessa linha a gente vai continuar trabalhando, pedindo que os amigos nos ajudem, pedindo que os amigos que conhecem o nosso projeto e sabem das nossas intenções nos ajudem. Nós precisamos muito da ajuda de cada um de vocês. Porque, se chegar lá na frente e nosso nome estiver muito bem colocado, alguém vai tirar? Fica difícil, não fica? E se não estiver bem, não tem nenhum problema, recolhe-se. Vamos trabalhar, tenho três anos de prefeitura pela frente, não tem nenhum problema”, concluiu.
Caso avance, ele deverá se afastar do cargo de prefeito até 4 de abril, conforme prevê a legislação eleitoral. Até lá, seguirá à frente da Prefeitura de Rio Branco, função que ocupa pelo terceiro ano consecutivo.
O prefeito já vinha sinalizando interesse na disputa desde o ano passado, mas havia informado que o anúncio oficial ocorreria apenas no início de 2026. Com a confirmação, o cenário político estadual passa a incorporar mais um nome na corrida pelo governo do Acre.


