Espaço cultural retoma atividades com acervo amazônico, funcionamento diário e proposta ampliada para receber público de todas as idades
Após mais de seis anos fechada, a Biblioteca da Floresta, em Rio Branco, foi reaberta nesta segunda-feira (23), marcando a retomada de um dos principais equipamentos culturais do Acre. O espaço passou por uma ampla revitalização, que incluiu melhorias estruturais, modernização de sistemas e reconfiguração dos ambientes voltados ao público.
Localizada no Parque da Maternidade, a biblioteca estava fechada desde 2019 para obras. Durante o período, o prédio enfrentou episódios de abandono e chegou a ser atingido por um incêndio em 2022, que comprometeu principalmente a área térrea, onde funcionava o atendimento e estavam armazenados arquivos.
Com mais de cinco mil títulos, o acervo reúne livros, jornais, pesquisas acadêmicas, filmes e CDs, com foco em temas ligados à Amazônia. O espaço também abriga coleções dedicadas a nomes como Hélio Melo e Leandro Tocantins, além de exposições permanentes sobre a cultura indígena da região.

A revitalização manteve as características arquitetônicas originais, mas atualizou a estrutura para atender às normas atuais de segurança, acessibilidade e funcionamento. Foram feitas melhorias nas instalações elétricas, climatização, substituição de pisos, troca do telhado e pintura geral.
O espaço passou a contar com rampas laterais, portas de evacuação e reforço no sistema de combate a incêndio. O auditório, que sofria com alagamentos por estar abaixo do nível do solo, teve o piso elevado. As salas de estudo foram climatizadas e o ambiente infantil ampliado.
Além disso, o último pavimento agora oferece vista panorâmica para o Parque da Maternidade, e a biblioteca passa a sediar também o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC).
“Símbolo do Acre e da Amazônia”
O presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara, destacou que a reabertura representa a devolução de um espaço simbólico à população.
“É um símbolo do Acre, um símbolo da Amazônia. A Biblioteca da Floresta conta a história dos nossos povos originários, dos seringueiros, do primeiro e do segundo ciclo da borracha. Temos aqui acervos sobre a fauna e a flora, além de obras de grandes artistas, como Hélio Melo e Leandro Tocantins. É um espaço que acolhe desde as crianças até as pessoas da melhor idade”, afirmou.
Segundo ele, a proposta é ampliar o acesso ao espaço cultural. A biblioteca funcionará diariamente, das 7h às 17h, incluindo fins de semana e feriados.
“Aqui é mais do que uma biblioteca. É um espaço de exposições permanentes e rotativas. Por isso, vamos manter o funcionamento também aos finais de semana e feriados, para que as famílias possam visitar. Muitas pessoas trabalham durante a semana e não conseguem vir, então é importante garantir esse acesso ampliado”, explicou.

A reabertura já começa a atrair visitantes. O historiador Davi Silva, de 24 anos, esteve no local pela primeira vez e destacou a relevância do espaço para a preservação da memória acreana.
“É a minha primeira visita e achei o espaço incrível. Além de ser um local de estudo, é também um ambiente cultural. As exposições são maravilhosas, especialmente as dedicadas a Hélio Melo e Leandro Tocantins. Para nós, da área de História, é uma grande contribuição, mas também beneficia todas as outras áreas. Achei perfeito”, afirmou.
A obra da Biblioteca da Floresta foi marcada por atrasos e questionamentos. Em 2021, o Ministério Público do Acre instaurou procedimento para apurar denúncias de abandono do prédio e cobrou um cronograma de reforma.
Após o incêndio de 2022, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou medidas para garantir a preservação do patrimônio. O projeto de revitalização foi concluído em 2023, mas avançou apenas após trâmites burocráticos e lançamento de licitação.
A ordem de serviço foi assinada em abril de 2024, com investimento estimado em R$ 3,8 milhões. A empresa contratada apresentou proposta de pouco mais de R$ 2,7 milhões para execução, com prazo inicial de 12 meses.
A reabertura encerra um longo período de inatividade e devolve à capital acreana um espaço que reúne memória, cultura e produção intelectual da Amazônia.







