Comissão das Mulheres da Câmara aprova envio de denúncias contra superintendente da RBTrans ao MPAC

Relatório pede investigação, apuração das acusações de assédio moral e afastamento imediato do superintendente Clendes Vilas Boas.

A Comissão dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal aprovou, nesta terça-feira (26), um relatório que será encaminhado ao Ministério Público do Acre (MPAC), reforçando o peso das denúncias de suposto assédio moral contra o superintendente de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans), Clendes Vilas Boas.

O documento solicita abertura de investigação formal, apuração detalhada das acusações e o afastamento imediato do gestor. Também foi aprovado requerimento para que o caso chegue ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

A decisão da comissão ocorreu em meio à polêmica sobre a tentativa de Clendes de impedir a realização da tribuna popular solicitada pelo ex-superintendente Benício Dias. Por meio de seu advogado, o atual gestor havia pedido à Mesa Diretora da Câmara que vetasse a fala, alegando risco de “acusações sem provas”. Apesar disso, a tribuna foi mantida, ampliando o debate sobre a condução da autarquia e as denúncias apresentadas por servidores e ex-servidores.

Durante a reunião da comissão, a representante do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) do MPAC, Solene Costa, esteve presente para acolher relatos e reafirmar que o órgão acompanha o caso. Segundo ela, duas pessoas já foram ouvidas e novas oitivas estão programadas, mantendo o CAV aberto para receber eventuais novas denúncias.

Em resposta, Clendes Vilas Boas voltou a negar as acusações, que classificou como “levianas”. Em coletiva concedida no último dia 13, o superintendente afirmou ter “consciência tranquila”, garantiu que nunca respondeu a processos e declarou não ter intenção de se afastar do cargo, além de anunciar que adotará medidas judiciais.

Debate sobre CPI divide vereadores

O caso movimentou a sessão da Câmara nesta terça. Enquanto parte da oposição defende a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), vereadores da base governista sustentam que o tema deve ser tratado prioritariamente pelo Ministério Público.

O vereador Aiache afirmou que já houve encaminhamentos formais da Casa, como o pedido de afastamento do superintendente, e ponderou que a CPI poderia se transformar em instrumento de “politicagem”. “Até agora, não recebi provas concretas das denúncias. Se me trouxerem evidências, serei o primeiro a assinar”, disse.

Zé Lopes reforçou que ainda não encontrou material robusto para fundamentar sua assinatura em uma CPI e disse confiar na atuação do Ministério Público.

Já o vereador André Kamai (PT) fez críticas duras à Prefeitura de Rio Branco, acusando o prefeito Tião Bocalom de se posicionar sistematicamente ao lado de gestores acusados de assédio. Para ele, o aval do Executivo municipal às práticas de coação justifica a abertura imediata de uma investigação parlamentar.

Kamai destacou que a oposição tem sido sistematicamente apagada pela base governista, inclusive em movimentos recentes relacionados ao pedido de afastamento do superintendente do RBTrans. Segundo ele, embora a base alegue protagonismo, o pedido partiu inicialmente do vereador Fábio Araújo.

O parlamentar lembrou que requerimentos da oposição já foram desconsiderados pela base em outras ocasiões, como a convocação do secretário de Infraestrutura. “Não tratem a gente de feitos idiotas. A prática de apagar as ações da oposição é recorrente nesta Casa”, afirmou.

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