Dados de agosto a janeiro mostram queda de 35,4% na Amazônia e 5,9% no Cerrado. No Pantanal, alta frente a 2024/25, mas ainda abaixo de 2023/24.
Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 35,4% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O índice é o menor da série histórica do sistema para o intervalo analisado.
➡️ O Deter é um sistema de alertas diários criado para apoiar ações de fiscalização e controle do desmatamento e da degradação florestal por órgãos ambientais. É diferente do Prodes, outro sistema do Inpe que mede a taxa anual de desmatamento no período que se inicia em agosto de um ano e vai até julho do ano seguinte. De acordo com o Prodes, em 2025 na comparação a 2022, o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32,3% no Cerrado.
No Cerrado, a redução foi de 6% na mesma base comparativa. Já no Pantanal, os alertas cresceram 45,5% frente a 2024/2025. Ainda assim, o bioma registra volume 65,2% inferior ao observado em 2023/2024, conforme correção apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente durante coletiva.
Os números se referem a áreas sob alerta identificadas por satélite e divulgadas quase em tempo real pelo Deter, sistema que subsidia ações de fiscalização ambiental.
O que mostram os dados
Amazônia
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que os dados indicam tendência positiva para 2026, caso o padrão se mantenha ao longo do ano. Ela destacou o caráter público e transparente do sistema de monitoramento.
“O Deter não é o Prodes”, disse. A ministra ponderou, no entanto, que, se a trajetória atual se confirmar, os números do Deter poderão antecipar uma queda expressiva nas taxas anuais consolidadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais por meio do Prodes, que calcula o desmatamento oficial ao fim do ciclo.
“Há uma expectativa de chegarmos, em 2026, à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”, destacou a ministra, na coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. “A política pública que fazemos tem base em dados e evidência, trazidos pelo Inpe com a gestão do tempo e a determinação política do presidente Lula de aumentar orçamentos. O desmatamento caiu e o agronegócio continua crescendo, abrimos 500 novos mercados para a agricultura brasileira, fechamos o acordo com da União Europeia com o Mercosul numa demonstração de que políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas, feitas de forma republicana, com o compromisso que tem o presidente Lula, dão bons resultados.”

O coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros do Inpe, Claudio Almeida, reforçou que a tendência observada até janeiro é consistente, mas alertou para a sazonalidade do fenômeno.
“A tendência é forte, mas não é garantia”, afirmou. Segundo ele, historicamente os maiores picos de desmatamento ocorrem no fim da estação seca, o que torna os próximos meses decisivos para o resultado final.
Cerrado
No Cerrado, bioma que concentra forte expansão agropecuária, a queda de 6% sinaliza estabilidade com leve retração. O governo atribui o desempenho à intensificação de operações em áreas críticas e à atuação direcionada com base nos alertas do Deter.
O secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, afirmou que os dados orientam as ações do Ibama em campo, permitindo respostas mais rápidas onde surgem novos focos de desmatamento.
Já o secretário André Lima destacou o papel dos 81 municípios prioritários no combate à derrubada da vegetação nativa. Segundo ele, a maioria aderiu ao programa federal e apresenta desempenho superior à média nacional, com investimentos em regularização ambiental, assistência técnica e estrutura para as secretarias municipais.
Pantanal
No Pantanal, o aumento de 45,5% nos alertas em relação ao ciclo anterior acende sinal de atenção. Apesar disso, o volume permanece 65,2% abaixo do registrado em 2023/2024, período marcado por eventos extremos.
O governo reconhece que o bioma exige monitoramento contínuo, sobretudo diante da combinação entre estiagens prolongadas, incêndios e pressão por abertura de novas áreas.
Transparência e meta de desmatamento zero
O Ministério do Meio Ambiente anunciou que ampliará a transparência dos planos de combate ao desmatamento em todos os biomas, com abertura de informações do PPCDam e dos sistemas de monitoramento.
A Casa Civil informou que a atualização do plano envolve articulação entre 19 ministérios e integra a estratégia nacional para alcançar desmatamento zero até 2030.
Para o MMA, os dados do Deter não substituem as taxas oficiais anuais, mas funcionam como um termômetro das políticas públicas em curso. Entre as principais iniciativas estão a reorganização da governança ambiental e a implementação de Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) em todos os biomas do país.
O fortalecimento da fiscalização e monitoramento é outro braço da estratégia. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ampliaram as operações com apoio do Inpe, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Em relação a 2022, o Ibama elevou o número de ações de fiscalização em 59%, e o ICMBio, em 24%. As áreas embargadas pelo Ibama cresceram 51%, e pelo ICMBio, 44%, também em comparação a 2022.
Principais ações de controle do desmatamento
Entre 2022 e 2025, foi registrada queda de 65,5% no desmatamento nos 70 municípios que fazem parte do programa União com Municípios (UcM), considerados prioritários pelo governo para as ações de controle do desmatamento e incêndios florestais.
O número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia cresceu quase 148% em relação ao ciclo anterior, refletindo o esforço das ações de combate a crimes ambientais no país. Como resultado, as ocorrências registradas saltaram de 932 para 1.754. No mesmo intervalo, a quantidade de veículos abordados aumentou cerca de 110%, passando de 13.526 para 28.607.
Também foi identificada alta significativa no número de apreensões. A retenção de minérios em geral avançou mais de 170%, enquanto as apreensões de madeira cresceram 65%.
Entre as estratégias adotadas estão a ampliação dos embargos remotos de uso do solo e o fortalecimento da fiscalização sobre cadeias produtivas associadas ao desmatamento ilegal.
Outro eixo de atuação é a retomada da destinação de florestas públicas federais. O Governo do Brasil prevê destinar 15 milhões de hectares de florestas públicas, conforme estabelece o Decreto nº 12.046/2024 e a Portaria Interministerial MMA/MDA nº 1.309/2025. A medida inclui a emissão de Contratos de Direito Real de Uso (CDRU) para Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), com a meta de beneficiar 300 comunidades até 2026.
Destaca-se ainda a reativação e ampliação do Fundo Amazônia, uma das principais ferramentas de implementação da política ambiental brasileira, com R$ 3,642 bilhões de investimentos somente nos últimos três anos. Houve ainda um aumento significativo no número de doadores internacionais, que passou de dois para nove países (Noruega, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Japão, Dinamarca, Irlanda e União Europeia), a partir de 2023.
Em 2025, houve a aprovação de R$ 850 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer as ações de fiscalização ambiental para o controle do desmatamento ilegal na Amazônia.







