Documentos que contam a trajetória do líder seringueiro e ambientalista sumiram após fechamento da Biblioteca da Floresta em 2019.
O legado documental de Chico Mendes, símbolo da resistência seringueira e da defesa da Amazônia, está desaparecido há seis anos. A coleção de registros históricos do ambientalista, assassinado em 1988, era mantida na Biblioteca da Floresta, espaço cultural administrado pelo governo do Acre, em Rio Branco, mas não foi mais localizada desde que o local foi fechado para reforma em 2019.
Nesta segunda-feira (25), o Ministério Público Federal (MPF) anunciou ter encaminhado uma representação ao Ministério Público do Acre (MPAC) pedindo providências para localizar e garantir a preservação do material.
Na manifestação, o órgão alerta que a ausência de informações sobre o paradeiro da coleção representa uma “iminente lacuna na memória coletiva” e causa “dano e prejuízo concreto à coletividade”.
Inaugurada em 2007, a Biblioteca da Floresta foi projetada para abrigar acervos ligados à história da Amazônia e de suas populações tradicionais. O espaço, no entanto, está fechado há anos e foi alvo de críticas por abandono. Em 2021, o próprio MPAC chegou a abrir uma apuração sobre a situação do prédio. No ano seguinte, em maio de 2022, um incêndio atingiu parte da estrutura.
De acordo com o MPF, o desaparecimento dos documentos de Chico Mendes ocorreu em algum momento após o fechamento da biblioteca. O órgão ressalta que a perda do acervo compromete a preservação da memória e da identidade cultural do Acre.
O documento foi assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Lucas Costa Almeida Dias, e agora será avaliado pelo MPAC, a quem cabe decidir sobre as medidas necessárias para tentar recuperar e proteger o material histórico.