Presença de João Marcos Luz em caminhada política gera críticas nas redes em meio a mais de duas mil pessoas atingidas pela cheia do rio Acre.
A presença do secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Rio Branco, João Marcos Luz, em uma caminhada política em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e de presos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro tem gerado críticas. A participação ocorre enquanto a capital acreana enfrenta nova emergência causada pela cheia do rio Acre, com milhares de pessoas afetadas e dezenas de famílias fora de casa.
João Marcos divulgou nas redes sociais imagens da mobilização, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que segue de Minas Gerais até Brasília. A manifestação defende a anistia aos envolvidos nas invasões às sedes dos Três Poderes, ocorridos em janeiro de 2023, que marcou a história recente da democracia brasileira.
Em uma das publicações, o secretário escreveu: “Estamos aqui fazendo a nossa parte nesse grande propósito pelo Brasil. Você que não consegue caminhar conosco, ore por nós e pelo nosso país. Fé no Acre, fé no Brasil!”.
As postagens provocaram críticas, especialmente de moradores que cobraram a presença do gestor na capital acreana, onde famílias seguem desalojadas por causa da enchente. “Prioridades bem relativas do secretário, enquanto temos dezenas e mais dezenas de famílias no Acre gritando por socorro nessa alagação. Isso é fato”, comentou um internauta.
“Cada um com suas prioridades né meu Acre”. Outro questionou: “Qual a necessidade? Qual a importância dele estar nessa falta do que fazer?”.

Houve também manifestações em sentido oposto, apoiando a caminhada. Um perfil comentou: “Arrocha meu amigo, nos represente juntamente com @marciobittar_”. Já outro escreveu: “Bolsonaro foi o melhor presidente…”.
O prefeito Tião Bocalom, do PL, também se manifestou publicamente em apoio ao secretário e à caminhada. Em postagem, afirmou que João Marcos havia chegado durante a madrugada ao local do ato e elogiou a participação do senador Márcio Bittar. No texto, o prefeito classificou a mobilização como uma reação ao que chamou de “desumanização de brasileiros presos após os acontecimentos do dia 8” e disse que os participantes lutam por “liberdade, anistia e respeito às liberdades democráticas”.
Enquanto isso, em Rio Branco, a situação do rio Acre segue em nível de alerta. Na medição das 9h desta sexta-feira (23), o manancial marcou 14,51 metros, segundo a Defesa Civil Municipal, ainda acima da cota de transbordo, que é de 14 metros. O número representa uma redução de 18 centímetros em relação ao dia anterior, quando o nível estava em 14,69 metros no mesmo horário. Apesar da vazante iniciada no fim da tarde de quinta-feira, o rio permanece elevado há cerca de uma semana.
O boletim mais recente da Defesa Civil informa que 27 bairros foram afetados. Na zona urbana, 633 famílias, cerca de 2.286 pessoas, sofreram impactos diretos da cheia. Na zona rural, 250 famílias, aproximadamente mil pessoas, também foram atingidas. Dez famílias estão abrigadas no Parque de Exposições, totalizando 25 pessoas e onze animais. Outras seis famílias permanecem desalojadas, somando 15 pessoas, além de 15 comunidades rurais impactadas.
Ao todo, mais de duas mil pessoas foram atingidas pela segunda enchente em menos de um mês e a terceira em menos de um ano na capital acreana, cenário que pressiona a rede municipal de assistência social e de acolhimento emergencial.







