Mata Arrendada II: delegado detalha esquema que destruiu mais de 379 hectares em assentamento no Acre

Segundo a Polícia Federal, investigado investiu cerca de R$ 3 milhões para abrir áreas de floresta e arrendá-las para criação de gado no Vale do Juruá.

A Polícia Federal (PF) identificou que um dos principais alvos da Operação Mata Arrendada II teria sido responsável por desmatar mais de 379 hectares de floresta em áreas de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no interior do Acre.

As informações foram detalhadas pelo delegado Augusto Lima, da Delegacia da PF em Cruzeiro do Sul, durante entrevista sobre a ofensiva realizada na quarta-feira (21).

Segundo o delegado, a investigação começou após a constatação de crimes ambientais e de invasão de terras públicas. “São tratos de uma investigação acerca de crimes de desmatamento ilegal e possível invasão de terras públicas”, afirmou. Ele explicou que os envolvidos atuavam dentro de projetos de reforma agrária para obter lucro com a abertura das áreas.

“Esses indivíduos estavam realizando diversos desmatamentos em áreas de assentamento do Incra, com o escopo de rentabilizar através de aluguel dessas áreas, com plantação de pastos para fins de arrendamento para criação de bovinhos”, disse.

De acordo com Augusto Lima, apenas um dos investigados teria sido responsável pela derrubada da vegetação em grande escala. “Trata-se de um indivíduo que apenas ele, e por meio dos recursos injetados nesse desmatamento, desmatou mais de 379 hectares aqui na área do Juruá”, relatou.

Durante a apuração, o suspeito prestou depoimento e confirmou o volume de recursos empregados na atividade ilegal. “Após a oitiva do indivíduo, ele confirmou que investiu aproximadamente 3 milhões de reais para realizar esses desmatamentos”, afirmou o delegado.

Com base nessas informações, a Polícia Federal solicitou à Justiça o bloqueio de bens para tentar reparar os danos ambientais. “Desta forma, a gente representou ao Poder Judiciário, solicitando um bloqueio de bens a fim de tentar buscar uma reparação pelo impacto ambiental causado”, explicou. Segundo ele, nesse momento, a medida atingiu valores mantidos em contas bancárias.

As investigações continuam e devem avançar com a análise de documentos apreendidos durante as buscas. “Durante o cumprimento de buscas, a nossa equipe identificou diversos materiais, especialmente contratos de compra e venda, títulos de posse do Incra, o que corroboraram com os indícios iniciais”, disse. Ele acrescentou que o material será submetido à perícia e servirá para mapear o patrimônio dos envolvidos.

O delegado também afastou, até o momento, qualquer participação de servidores do Incra no esquema. “Nenhum envolvimento de funcionários do Incra nessa situação, por meio dessa investigação”, afirmou.

Ainda conforme Augusto Lima, os investigados seriam pessoas de fora do estado que passaram a atuar na região do Vale do Juruá. “Trata-se exclusivamente de indivíduos que vieram de outros estados aqui para o estado do Acre, especialmente a região de Cruzeiro do Sul, e por meios próprios, tanto adquiriam como invadiram essas terras, a fim de realizar criação, especialmente a criação de bovinos na área”, declarou.

A Polícia Federal informou que segue levantando a extensão total das áreas afetadas e aprofundando as apurações para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

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