Resultados do exame divulgado pelo Inep na última segunda-feira (19) classificam cursos de Medicina em todo o país.
O curso de Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) obteve conceito 4 na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O resultado foi divulgado na última segunda-feira (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A nota coloca a instituição acreana entre os 163 cursos de Medicina do país que alcançaram os conceitos mais elevados da avaliação. Ao todo, 114 cursos receberam conceito 4 e integram o grupo considerado de alto padrão de qualidade no ensino médico.
Os melhores resultados ficaram com as universidades públicas federais e estaduais. Entre as federais, 87,6% dos cursos obtiveram conceitos 4 ou 5. Nas estaduais, o percentual foi de 84,7%.
O Enamed foi aplicado em 18 de outubro do ano passado e é uma versão específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), voltada exclusivamente para os cursos de Medicina.
A prova avalia o desempenho dos estudantes e serve de base para a atribuição do Conceito Enade, indicador utilizado pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade das graduações.
Além da avaliação institucional, o resultado do Enamed pode ser utilizado como critério de seleção para programas de residência médica, por meio do Exame Nacional de Residência (Enare), nas especialidades de acesso direto.
Curso particular em Rio Branco recebe conceito 1
No Acre, além do resultado da universidade federal, a avaliação também apontou desempenho insatisfatório em instituição privada.
O curso de Medicina do Centro Universitário Uninorte, em Rio Branco, recebeu nota 1, a mais baixa do Enamed, e aparece entre os 24 cursos do país classificados nessa faixa.
De acordo com o MEC, cursos que recebem nota 1 podem sofrer penalidades como a suspensão do ingresso de novos estudantes e o bloqueio ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A Uninorte informou que irá se manifestar após o recebimento oficial dos dados do ministério.
Mais de 100 cursos com avaliação insatisfatória
O balanço nacional do Enamed mostra que mais de 100 cursos de Medicina do país tiveram desempenho considerado insatisfatório. Ao todo, 351 graduações foram avaliadas, e cerca de 30% ficaram nas faixas 1 e 2. Desse total, 24 cursos receberam nota 1 e outros 83 ficaram com nota 2.
Segundo o Inep, participaram da avaliação cerca de 89 mil estudantes, entre concluintes e alunos de outros períodos. Entre os aproximadamente 39 mil formandos, 67% alcançaram resultado considerado proficiente. Os demais, cerca de 13 mil estudantes, não atingiram desempenho satisfatório.
Antes da divulgação oficial dos resultados, uma entidade que representa instituições privadas de ensino entrou na Justiça para tentar barrar a publicação dos dados, mas o pedido foi negado.
Diferenças por tipo de instituição
Os dados do Enamed indicam diferenças de desempenho conforme o tipo de instituição. As piores avaliações, concentradas nas notas 1 e 2, ocorreram principalmente em cursos de instituições públicas municipais, onde 87,5% ficaram nessas faixas.
Entre as instituições privadas com fins lucrativos, 58,4% dos cursos receberam notas insuficientes.
Já as privadas sem fins lucrativos registraram cerca de um terço dos cursos com desempenho abaixo do esperado.
Os melhores resultados ficaram concentrados nas universidades públicas federais e estaduais. Nas federais, 87,6% dos cursos alcançaram as notas mais altas. Entre as estaduais, o percentual foi de 84,7%.
Penalidades previstas
As instituições com notas 1 ou 2 no Enamed estarão sujeitas a sanções. Cursos com nota 2 terão redução de vagas para novos ingressos. Já aqueles com nota 1 terão suspensão total da entrada de novos estudantes.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (19), o ministro da Educação, Camilo Santana, informou que dos 107 cursos inicialmente listados, 99 passarão por penalidades, já que graduações mantidas por estados e municípios não estão sob gestão direta do MEC.
As medidas previstas incluem suspensão total de novos ingressos e bloqueio no Fies e em outros programas federais, redução parcial de vagas e impedimento de ampliação do número de estudantes. As instituições terão prazo para apresentar defesa ao ministério.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, as instituições terão prazo para apresentar defesa antes da aplicação das medidas previstas.
“É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, disse Camilo.







