Mesmo com chuva fraca neste sábado, volume acumulado na sexta-feira sustenta avanço do nível do rio; Defesa Civil mantém monitoramento contínuo
O Rio Acre voltou a transbordar em Rio Branco na manhã deste sábado (17), ao atingir 14,26 metros na medição das 9h, e segue em elevação, conforme boletim da Defesa Civil Municipal. Esta é a segunda ocorrência em menos de um mês e a terceira em menos de um ano em que o manancial ultrapassa a cota de transbordamento, fixada em 14 metros.
Com a elevação do nível do rio, oito famílias já solicitaram retirada de suas residências, segundo a Defesa Civil. Como medida preventiva, a Prefeitura informou que cerca de 80 abrigos estão prontos no Parque de Exposições Wildy Viana, com estrutura destinada ao acolhimento temporário de moradores que precisem deixar suas casas.
Com o nível acima da cota máxima de alerta, áreas próximas às margens do rio começam a ser inundadas. Pelo menos dez bairros já foram atingidos pelas águas. Um dos primeiros pontos afetados é o Bairro da Base, região historicamente vulnerável durante períodos de cheia.
Apesar do registro de apenas 2,40 milímetros de chuva nas últimas 24 horas, o comportamento do rio reflete o volume expressivo de precipitações acumuladas na sexta-feira (16), quando choveu 43 milímetros em um único dia. Esse acumulado manteve o manancial em trajetória de elevação ao longo de toda a sexta (16).
Ainda nas primeiras horas da manhã de sexta, às 5h18, o nível do Rio Acre estava em 13,90 metros, próximo da cota de alerta. No decorrer do dia, a subida foi contínua, alcançando 14,01 metros às 15h e confirmando o transbordamento ainda antes do fim do dia. À meia-noite, o rio já marcava 14,15 metros. Às 5h17 deste sábado, o nível marcou 14,22 metros e, quatro horas depois, às 9h, subiu para 14,26 metros.
A Defesa Civil Municipal informou que as equipes seguem em regime de monitoramento permanente, acompanhando tanto a evolução do nível do rio quanto os impactos nas áreas consideradas mais vulneráveis. O coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, orientou moradores de regiões ribeirinhas e de risco a manterem atenção redobrada aos comunicados oficiais.
Ainda na sexta-feira, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, também se manifestou sobre o avanço das águas e alertou para a retomada de um cenário semelhante ao observado em dezembro de 2025, período marcado por uma das maiores enchentes já registradas na capital.
Segundo o gestor, o plano de contingência do município já foi acionado para garantir resposta rápida diante de eventuais agravamentos. A administração municipal destaca que o momento exige vigilância constante e ações ágeis, com prioridade para a segurança e a dignidade da população afetada pelo avanço do Rio Acre.
Histórico recente de cheias
No último ano, o Rio Acre transbordou três vezes. A primeira ocorreu em 10 de março, quando o nível chegou a 14,13 metros e, dias depois, atingiu a marca de 15,88 metros, afetando mais de 30 mil pessoas.
O segundo episódio foi registrado em 27 de dezembro, quando o rio subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas, alcançou 14,03 metros e chegou a 15,41 metros, com impacto sobre mais de 20 mil moradores, um cenário que não se repetia há 50 anos. Desde 1975, o Rio Acre não transbordava no mês de dezembro na capital.
O terceiro transbordamento ocorreu nesta sexta-feira (16), quando o nível marcou 14,01 metros às 15h.
Na última cheia, registrada em dezembro, o rio permaneceu cinco dias acima da cota de alerta e só voltou a níveis mais seguros em 2 de janeiro, quando atingiu 12,91 metros, permitindo o início da limpeza nos bairros atingidos.
Na quinta-feira (15), o nível estava em 13,53 metros, três centímetros acima da cota de alerta, que é de 13,50 metros.
As cotas estabelecidas pela Defesa Civil são 10 metros para atenção, 13,50 metros para alerta e 14 metros para transbordamento.


