Ação em Rio Branco cumpriu mandados de busca, identificou possível ligação com suspeito já investigado e apura receptação por clínica privada.
A Polícia Civil do Acre cumpriu, nesta quarta-feira (14), dois mandados de busca e apreensão em Rio Branco como parte das investigações que apuram o desvio de medicamentos e insumos hospitalares da rede estadual de saúde. A ação resultou na localização de mais um depósito clandestino e ampliou o foco da apuração para uma clínica privada suspeita de receptação de material público.
Um dos mandados foi executado na Rua Eduardo Asmar, região da Gameleira, no Segundo Distrito, onde os investigadores encontraram um imóvel utilizado para armazenar medicamentos oriundos do sistema público de saúde. A polícia trabalha com a hipótese de que o local esteja vinculado ao mesmo idoso de 74 anos investigado desde a semana passada por envolvimento no esquema criminoso.
O segundo alvo foi uma clínica que presta serviços de saúde em Rio Branco, cujos proprietários são investigados por possível receptação dos medicamentos desviados.
A ofensiva integra uma investigação iniciada a pedido da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e conduzida por uma força-tarefa da Polícia Civil. Com as diligências desta quarta-feira, já são cinco mandados judiciais cumpridos desde o início da apuração, que busca identificar a rota dos medicamentos desviados e a participação de outros envolvidos, incluindo servidores públicos.
O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, José Henrique Maciel, afirmou que o caso representa uma ameaça direta ao funcionamento da rede pública de saúde. Segundo ele, o desvio compromete o atendimento à população e exige uma resposta rigorosa do Estado. As investigações seguem em curso e novas ações não estão descartadas.
“Estamos tratando de um crime extremamente grave, que atinge diretamente a população que depende do sistema público de saúde. A Polícia Civil está atuando de forma firme e contínua para identificar todos os responsáveis, desarticular esse esquema criminoso e garantir que os culpados sejam responsabilizados na forma da lei. Esse é um trabalho técnico, sério e que seguirá até o completo esclarecimento dos fatos”, afirmou o delegado-geral.
O esquema começou a ser revelado no início de janeiro, após a descoberta de uma farmácia clandestina em uma residência na Baixada da Sobral. No local, a polícia apreendeu medicamentos de alto custo, incluindo remédios para tratamento contra o câncer, hemodiálise e medicamentos controlados, além de insumos hospitalares. O material apreendido pode ultrapassar um milhão de reais, conforme estimativa da Polícia.
Um homem de 74 anos foi preso durante a operação, mas acabou liberado após audiência de custódia e passou a responder ao processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. De acordo com a investigação, o desvio de medicamentos teria começado em 2023, embora o inquérito tenha sido instaurado apenas no final de 2025.
A Sesacre informou que há indícios de que os medicamentos desviados tenham saído de unidades estratégicas da rede estadual, como o Pronto-Socorro de Rio Branco, a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo e Unidades de Pronto Atendimento. A Polícia Civil reforça que denúncias anônimas podem ser feitas pelo número 181.


