Filme de Kleber Mendonça Filho conquista prêmio de melhor produção em língua não-inglesa, 27 anos após vitória de “Central do Brasil”
O cinema brasileiro voltou a ser protagonista no cenário internacional neste domingo (11). “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu o Globo de Ouro 2026 na categoria de melhor filme em língua não-inglesa, encerrando um jejum de 27 anos desde a vitória de Central do Brasil, em 1999.
Ao subir ao palco para receber o prêmio, Kleber mandou um “alô, Brasil”, agradeceu ao elenco e fez um elogio emocionado a Wagner Moura, protagonista do filme.
“As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, afirmou o diretor. Em seu discurso, ele também dedicou a conquista aos jovens cineastas e reforçou o papel do cinema em tempos de disputas políticas e culturais. “Esse é um momento muito importante da história para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos continuar fazendo filmes”, declarou.
Após a cerimônia, em entrevista coletiva, Kleber voltou a destacar a importância de novas vozes no audiovisual brasileiro. “Estamos muito felizes de ver um filme brasileiro gerando tanta discussão boa sobre a história do Brasil. Quero muito ver jovens cineastas brasileiros e brasileiras. Pode usar telefone, pode fazer seu próprio projeto. A gente falando da nossa casa, todo mundo ouve ao redor do mundo”, disse.
Na disputa, O Agente Secreto concorreu com produções de diferentes países, como “Valor Sentimental”, “Foi Apenas um Acidente”, “A Única Saída”, “Sirat” e “A Voz de Hind Rajab”. A vitória foi anunciada pela atriz Minnie Driver, apresentadora da categoria, que surpreendeu o público ao dizer “Parabéns” em português antes de revelar o nome do filme vencedor.
Ambientado nos anos 1970, em plena ditadura militar, o longa acompanha a trajetória de um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula, mesmo sob risco constante de perseguição política. Interpretado por Wagner Moura, o personagem conduz uma narrativa que dialoga com a memória recente do país e com as marcas deixadas pelo autoritarismo, tema recorrente na filmografia de Kleber Mendonça Filho.


