Marina Silva lamenta assassinato de vaqueiro do Ibama durante operação em terra indígena no Pará

Crime ocorreu na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, durante operação determinada pelo STF para retirada de invasores.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, classificou como bárbaro o assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, morto durante uma operação de retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Em nota oficial, Marina Silva afirmou ter recebido a notícia com profunda tristeza e ressaltou que “é dever do poder público garantir a segurança da sociedade e de quem trabalha em benefício do patrimônio ambiental do país”. A ministra considerou irreparável a perda do colaborador e destacou que ele atuava com coragem e dedicação nas ações de proteção ambiental.

O crime ocorreu na segunda-feira (15), quando o trabalhador prestava serviço ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em ação determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

Marcos Antônio foi atingido por um disparo no pescoço durante uma emboscada registrada nas proximidades do distrito Taboca. Ele integrava um grupo de vaqueiros que conduzia cerca de 350 cabeças de gado retiradas ilegalmente do território indígena, por um ramal estreito em área de mata, até um curral utilizado na operação.

O crime ocorreu na segunda-feira (15), quando o trabalhador prestava serviço ao Ibama. Bruno Peres/Agência Brasil

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reconheceu que a situação na região é preocupante, diante do histórico de conflitos fundiários e da resistência de invasores à desintrusão. Ainda assim, informou que seus servidores estão em segurança em uma das bases de apoio mantidas no território.

As investigações iniciais apontam que a emboscada pode ter sido articulada por antigos ocupantes da área, que permanecem tentando acessar a terra indígena para a criação ilegal de gado, apesar das decisões judiciais. A presença dessas estruturas ilegais está no centro dos conflitos que há anos marcam a Apyterewa, uma das terras indígenas mais pressionadas pelo desmatamento no país.

No local, atuam doze policiais militares e quatro policiais civis, além de equipes da Polícia Federal, que reforçou o efetivo enviado à região. Marina Silva afirmou que a PF está empenhada na apuração do crime e defendeu que os responsáveis sejam identificados e punidos com rigor.

Ao final da nota, a ministra reiterou o compromisso de quem atua na defesa ambiental. “Proteger o meio ambiente e os direitos originários não é um ato de confronto, mas um compromisso com a vida, e com o presente e o futuro do Brasil”, declarou.

A operação de desintrusão da Terra Indígena Apyterewa cumpre decisão do STF para a retirada de invasores e recomposição do território tradicional, em um contexto marcado por violência, ameaças e reiterados ataques a agentes públicos e trabalhadores envolvidos na fiscalização ambiental.

Com informações da Agência Brasil.

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