Nível do rio sobe pelo quarto dia seguido, amplia número de desabrigados e se aproxima de marcas históricas registradas no município
O nível do Rio Juruá chegou a 14,09 metros na manhã desta quinta-feira (30), em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, e já afeta mais de 28 mil pessoas. A elevação de 12 centímetros em 24 horas intensificou o cenário de cheia na segunda maior cidade do estado, onde o transbordamento do rio se repete pela quinta vez em quatro meses.
Os impactos avançam sobre áreas urbanas e rurais. Ao todo, 7.087 famílias foram atingidas, distribuídas em 11 bairros, 15 comunidades rurais e quatro vilas. O número de famílias desabrigadas quase dobrou, passando de 16 para 30, enquanto as desalojadas saltaram de seis para 50, segundo a Defesa Civil Municipal.
A retirada de moradores das áreas alagadas começou ainda na terça-feira (28), com a instalação de abrigos provisórios em escolas da rede pública. Atualmente, 146 pessoas estão acolhidas nesses espaços, com suporte de alimentação, assistência social e atendimento de saúde.
Entre os pontos de acolhimento, a Escola Madre Adelgundes Becker concentra o maior número de famílias, com 17 grupos, sendo dez indígenas, somando 69 pessoas. Outras unidades também recebem desabrigados, como as escolas Padre Arnoud, Corazita Negreiros e Thaumaturgo de Azevedo.
Pelo menos 323 famílias tiveram o fornecimento de energia elétrica suspenso como medida preventiva para evitar acidentes em áreas inundadas. Além do Juruá, rios como Juruá Mirim, Valparaíso, Liberdade e Campinas apresentam níveis elevados.
O atual nível do rio já se aproxima de marcas históricas. Faltam menos de 20 centímetros para alcançar o nível registrado em 2017, quando o Juruá chegou a 14,24 metros. A maior cheia da série histórica recente ocorreu em 2021, com 14,36 metros.
O último transbordamento havia sido registrado em 30 de março, quando o rio atingiu 13,31 metros e permaneceu nesse nível por mais de uma semana, afetando oito bairros e oito comunidades rurais. Embora o pico das cheias costume ocorrer entre o fim de fevereiro e o início de março, há registros recorrentes também ao longo de abril, o que reforça a imprevisibilidade do regime hídrico na região.







