Mesmo sem estatuetas, país concorreu em cinco categorias com destaque para O Agente Secreto e indicação do diretor de fotografia Adolpho Veloso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a presença brasileira no Oscar 2026, que contou com cinco indicações ligadas ao país. Apesar de não ter conquistado estatuetas, o Brasil esteve representado em categorias importantes da premiação, considerada a mais prestigiada da indústria cinematográfica mundial.
O principal destaque foi o filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. A produção concorreu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco, categoria criada neste ano pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences.
Outro brasileiro indicado foi o diretor de fotografia Adolpho Veloso, que disputou o prêmio de Melhor Fotografia pelo trabalho no filme Sonhos de Trem.
Pelas redes sociais, Lula destacou o significado das indicações para o país.
“Os brasileiros têm orgulho do nosso cinema. Foram cinco indicações ao maior prêmio do cinema mundial, mostrando, mais uma vez, a força do nosso cinema e o talento dos nossos atores, atrizes, diretores e de toda a equipe técnica que faz essa arte acontecer. É o Brasil levando ao mundo a potência da nossa cultura e das nossas histórias”, escreveu o presidente.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também comemorou o resultado e ressaltou o impacto da trajetória de O Agente Secreto durante a temporada de premiações.
“O audiovisual brasileiro repete um grande feito ao ser reconhecido internacionalmente. Parabenizo com muito carinho o Kleber Mendonça, o Wagner Moura e toda a equipe desse filme absolutamente envolvente, necessário e que foi capaz de conquistar plateias do mundo inteiro com uma história que reconstrói memória e fortalece nossa identidade cultural. Uma trama ao mesmo tempo muito brasileira e universal”, afirmou.
Filmado em Recife, o longa também registrou forte desempenho nas salas de cinema. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema, a produção ultrapassou 2,35 milhões de espectadores e arrecadou mais de R$ 50,3 milhões em bilheteria. O resultado contribuiu para elevar a participação do cinema nacional no mercado interno para cerca de 10%.
Políticas públicas e expansão do audiovisual
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, destacou que o reconhecimento internacional também reflete políticas de incentivo ao setor.
“Um filme em língua portuguesa tem fascinado as audiências do mundo todo, e esse filme é brasileiro, do Recife, fruto direto das políticas públicas do audiovisual do Brasil. Isso é muito grande e reflete a potência do audiovisual brasileiro em competir, em emocionar e ganhar plateias do mundo todo, porque o que não nos falta são boas histórias, profissionais talentosos e Estado brasileiro fomentando e garantindo políticas públicas para todo setor”, disse.
A produção de O Agente Secreto contou com R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, além de R$ 750 mil destinados à etapa de comercialização.
O reconhecimento internacional coincide com uma retomada dos investimentos públicos no setor audiovisual. Entre 2023 e 2025, o governo federal destinou mais de R$ 5,7 bilhões para a área, considerando recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e mecanismos de incentivo fiscal.
O ano de 2025 registrou o maior volume da série histórica, com R$ 1,41 bilhão investidos. Desse total, R$ 564 milhões foram destinados à contratação de novas obras e R$ 411 milhões a linhas de crédito voltadas à modernização de estúdios.
Um dos eixos da política atual é ampliar a produção fora do eixo tradicional do cinema brasileiro. Por meio dos Arranjos Regionais, cerca de R$ 662 milhões foram mobilizados para estimular projetos em diferentes regiões do país. Editais recentes contemplaram 852 obras, com 70% dos recursos direcionados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Acesso e circulação
O governo também tem buscado ampliar a circulação de produções nacionais. A política de Cota de Tela foi retomada e renovada até 2026, garantindo espaço para filmes brasileiros nos cinemas do país. Além disso, um edital de comercialização reservou R$ 60 milhões para apoiar a distribuição de produções independentes.
Outra iniciativa é o Programa Rouanet Festivais Audiovisuais, lançado em 2025 com investimento de R$ 17 milhões para fortalecer mostras e festivais em regiões historicamente menos atendidas por políticas culturais.
Para ampliar o acesso do público às produções nacionais, o Ministério da Cultura prepara para 2026 o lançamento da plataforma de streaming pública Tela Brasil, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas. O serviço será gratuito e reunirá um catálogo inteiramente dedicado ao audiovisual brasileiro, com foco em diversidade, acessibilidade e uso pedagógico em escolas públicas.







