Programa habitacional respondeu por parcela decisiva do crescimento do mercado imobiliário mesmo com juros elevados.
O mercado imobiliário do Brasil encerrou 2025 com resultados históricos, puxados principalmente pelo desempenho do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa habitacional foi responsável por grande parte dos novos empreendimentos e ajudou o setor a atingir recordes de lançamentos e vendas mesmo em um cenário de crédito mais caro.
Ao longo do ano foram lançadas 453.005 unidades residenciais no país, crescimento de 10,6% em relação a 2024. As vendas chegaram a 426.260 imóveis, alta de 5,4%. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (23) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Em valores financeiros, o Valor Geral de Lançamentos (VGL) somou R$ 292,3 bilhões. Já o Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 264,2 bilhões, refletindo o volume efetivamente comercializado no período.
Segundo Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o setor manteve o ritmo mesmo com a taxa básica de juros em 15%.
“As vendas também atingiram recordes, com a curva apontando para cima, o que mostra a resiliência do mercado imobiliário e a sua saúde do ponto de vista dos negócios”, afirmou.
Além do crescimento nas vendas e nos lançamentos, o estoque disponível para comercialização aumentou. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a oferta subiu 8% e chegou a 347.013 unidades.
No último trimestre do ano o mercado também bateu recordes. Entre outubro e dezembro foram lançadas 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior. No mesmo período ocorreram 109.439 vendas, com R$ 67,2 bilhões em negócios.
“Se fizermos a média diária, chegamos ao número de 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas em São Paulo”, disse Petrucci.
Programa habitacional sustenta o setor
O desempenho do mercado teve forte influência do Minha Casa, Minha Vida. O programa respondeu por mais da metade dos lançamentos e quase metade das vendas no último trimestre do ano.
Foram lançadas 224.842 unidades dentro do programa em 2025, crescimento de 13,5% na comparação com o ano anterior. As vendas somaram 196.876 imóveis, avanço de 15,9%.
Os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tiveram papel decisivo. Em 2025 os desembolsos atingiram R$ 142,3 bilhões, o maior nível da série histórica, ficando abaixo apenas da previsão para 2026 que chega a R$ 160,5 bilhões.
“O programa Minha Casa, Minha Vida vai indo muito bem, obrigado”, afirmou Petrucci ao avaliar que a disponibilidade de recursos sustentou o avanço do setor.
O impacto foi mais visível nas regiões Sudeste e Norte. Nessas áreas o programa representou respectivamente 55% e 56% das vendas no último trimestre.
Demanda continua alta
A pesquisa também investigou o comportamento de potenciais compradores. Metade dos entrevistados afirma que pretende adquirir um imóvel nos próximos dois anos.
Entre esse grupo, 37% ainda não começaram a busca, 8% já pesquisam opções na internet e 5 por cento visitam imóveis.
O tipo de moradia mais desejado é apartamento, citado por 48%. Casas em rua aparecem em seguida com 34%, enquanto casas em condomínio representam 15% e terrenos somam 3%.
Deixar o aluguel, buscar mais espaço ou sair da casa dos pais estão entre os principais motivos para a compra.
Para Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC, o cenário ainda indica demanda consistente.
“A projeção da demanda potencial permanece elevada e cita fatores como o elevado grau de intenção de compra, a expectativa de queda na taxa básica de juros e a melhora nas condições de crédito”, afirmou.
Perspectiva para 2026
Apesar de a taxa básica de juros estar no nível mais alto em duas décadas, a expectativa do setor é de início de cortes a partir de março. Uma redução tende a baratear o crédito imobiliário e estimular novos negócios.
Outro fator relevante é a meta do governo federal de contratar 3 milhões de moradias pelo Minha Casa Minha Vida até o fim do ano. A medida sinaliza continuidade no ritmo de obras e financiamentos no país.
Se o cenário se confirmar, o mercado imobiliário deve entrar em 2026 ainda aquecido, sustentado por demanda reprimida e pela política habitacional.
Com informações do g1.







